08/03/07

Qt. da Serralheira - Lote 179


Num território, a implantação da casa assinala um ponto.


A sua construção estabelece e modela um limite, entre o interior e o exterior. Essa fronteira define-se por recurso a espaços intermédios, cujas formas evocam arquétipos reconhecíveis da arquitectura popular.


Mas ao contrário do que é habitual, os volumes assim definidos encerram um espaço interno, que é envolvido pelo espaço externo. Como peças plasmadas nas faces trocadas de um molde, interior e exterior mantêm entre si uma relação directa, através dos vãos praticados nas paredes. Estes espaços de transição inscrevem-se na implantação rectangular da casa, recortando o volume de construção.


O programa organiza-se num contínuo espaço aberto, em que os usos são sugeridos por conformações e viabilizados por áreas de apoio, encerradas. No percurso através da casa, perspectivas semelhantes variam pela acção do espaço e da luz.


Pelo exterior, a construção reveste-se em todos os planos de reboco branco, "Geometrizações" emergentes e encerradas em um limite assinalado pelas paredes cremes. A sua dupla presença como matéria e espaço definem a sua limitação de construção. Cada limite é ele mesmo um espaço. Criam-se dois níveis de espaços. Duas leituras em escalas diversas. Um interior entre limites. Um interior em cada limite.